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quinta-feira, 30 de agosto de 2018

Cinderela


Ontem o dever de casa do Pedro era sobre a Cinderela. Na verdade era uma atividade para reforço de escrita e leitura com base em um conto famoso da Disney. 

Pedro tinha que ler o texto, completar as lacunas, desenhar e escrever trechos que ele lembrasse da história. Então ele me perguntou qual versão deveria usar. Respondi que desconhecia a existência de duas versões da Cinderela e pedi que ele me contasse. Bem, uma delas era padrão e a outra vai me dar pesadelos pelos próximos dias.

A versão escolhida por ele para realizar sua atividade consistia em mutilação de parte dos pés das irmãs más por elas mesmas fazendo com que o príncipe ao ver tanto sangue no sapato de cristal desconfiasse do ato e tivesse certeza de que nenhuma delas era a sua amada. Frustadas e infelizes elas arrancaram seus próprios olhos.

Sem mais.



segunda-feira, 13 de agosto de 2018

Matemática é vida

Acabei de chegar no trabalho e me deparar com um e-mail da escola do Pedro, que considerei muito interessante e ótimo para uma reflexão geral sobre modelo educacional. 

"Crianças pequenas são investigadores espontâneos que têm curiosidade insaciável e orgulho de suas realizações. Se as encontrarmos onde elas estão e as encorajarmos a pensar de sua própria maneira e relacionar as coisas de seu jeito, ao invés de obrigá-las a dar respostas 'certas', elas vão construir o conhecimento de forma a levar o desenvolvimento até onde for biologicamente possível. O conhecimento que tem sentido para aquele que aprende provavelmente levará a um aprendizado maior. Não se pode esperar que respostas 'corretas' que não têm sentido e não são interessantes resultem em autonomia intelectual e em um desenvolvimento maior."
Constance Kamii e Rheta DeVries 


De fato, Pedro parece estar se divertindo com a proposta.

quinta-feira, 2 de agosto de 2018

Bernardo - O Figura!


Bernardo está com umas tiradas muito engraçadas, que valem ser registradas.

Ele estava no banho com o Pedro e falou para o irmão que estava com vontade de fazer coco. Pedro gritou por ajuda e quando Duda chegou ele de farra disse brincando "Papai, Bernardo ia fazer coco no ralo". Bernardo imediatamente retrucou "não estou achando graça nenhuma, Pedro"

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Estávamos montando Lego e falei:
- "Bê, me dá aquela peça vermelha?"
- “Vc está me chamando de Bê?”
- "Sim, você não é meu Bê?"
- "Não, sou Bernardo Bassoul Ribeiro"

No dia seguinte...

- "Bê, não faz isso, vai quebrar e te machucar"
- "Você está me chamando de Bê de novo?"
- "Sim, não pode?"
- "Já disse que sou Bernardo Bassoul Ribeiro"

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Estávamos brincando na sala e Bê correu para o banheiro pois queria fazer coco. Saiu dizendo que queria ir sozinho. Fui atrás e acabei tomando uma bronca "Mamãe, sai, eu disse sozinho."

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Bê aprendeu a pedalar e está feliz da vida. Mas não alcança muito bem o pedal da bicicleta do irmão. Então pediu "Eu quero uma bicicleta pequenininha igual sou eu."

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Vovó Soninha estava brincando de super-herói com o pequeno e chamou ele de super-homem. 
- "Você está me chamando de super-homem? Nem pensar! Eu sou o homem-aranha."

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Poderia passar o dia contando estes causos, que são inúmeros, da nossa figurinha mirim em tempo integral.












segunda-feira, 9 de julho de 2018

Escola Parque


A adaptação do Pedro na nova escola foi bem tranquila.

Mas surgiu uma questão que eu não esperava. A turma é muito heterogênea, inclusive fisicamente e isto causou estranheza às crianças de uma maneira geral. Pelo o que eu entendi, os diferentes ficaram na defensiva e Pedro, que aparentemente não tinha problema com ninguém, não conseguiu fazer amizade com todo mundo e ele não se conformava com isso. Ele vivia questionando por que ele não conseguia ser amigo de todo mundo como era na Criativa.

E tinha um menino específico que atormentava a existência do Pedro, a quem ele se referia como “aquele do dente estranho”.

Comecei explicando que na Criativa ele conhecia todos desde bebê e que para construir laços demandava tempo e que ele só não lembra disso porque era muito pequeno.

Mas quando fizemos a tal reunião individual na escola, a coordenadora me disse para direcionar Pedro a algo mais real: não agradamos a todos assim como nem todos nos agradam. Então é normal que alguém não goste de vc e tb é normal que vc não goste de alguém. E ela pediu para enfatizar esta segunda possibilidade para que Pedro não se sentisse culpado se por um acaso não gostasse de alguém.

Fato é, a questão da dificuldade de relacionamento da turma por conta de diferenças físicas devia estar tão evidente que o projeto do primeiro trimestre do ano letivo passou a ser sobre as diferenças. E os pais foram convocados para uma reunião sobre o método adotado pela escola que achei simples mas eficaz pois parece já estar dando grande resultado. Eles se basearam principalmente em leitura e interpretação de livros dentro do tema, além de algumas atividades.

A escola, que estimula o pensamento e a autonomia também sempre propõe rodas de discussão diante de um problema onde os próprios alunos chegam à solução de seus impasses.

Uma das atividades que a professora contou que fez com a turma e que eu mais curti foi a dança dos cadernos de desenho. Cada criança começava fazendo um desenho no seu próprio caderno. Quando a música parava, elas tinham que entregar o caderno para o amigo da direita continuar o desenho. Claro que não deu certo porque um espírito de porco resolveu rabiscar o caderno alheio ao invés de completar o desenho. As meninas ficaram revoltadas. A Júlia (prof) parou a atividade e propôs uma roda de discussão e perguntou o que eles estavam sentindo diante do ocorrido e como achavam que podiam resolver este problema. Ao final, as meninas quiseram arrancar suas folhas rabiscadas e todos chegaram à conclusão de que não podiam fazer com o amigo o que não gostavam que fizessem com eles próprios. E a Júlia propôs nova dança dos cadernos para ver se todos tinham entendido. E a segunda rodada foi perfeita e fluida.

Agora que todos entenderam que diferenças são saudáveis e importantes para o enriquecimento individual e coletivo, a paz parece estar reinando.

E Pedro mais feliz com as novas amizades.

Este é o novo amigo Pipe

A turminha toda!



sexta-feira, 8 de junho de 2018

Arca de Noah 1 ano depois

Em abril do ano passado, uma das comemorações de aniversário do Pedro foi na Arca de Noah, em Guaratiba. Um lugar delicioso para crianças que curtem interagir com bichos. 

Enquanto Pedro se acabou, Bernardo curtiu de longe porque ficou um pouco assustado. Dava para perceber que ele queria participar mas os animais o assustavam. 

Mês passado, resolvemos voltar à Arca porque Pedro já estava cobrando este revisita há algum tempo e aproveitamos a ida ao Santuário (que era na metade do caminho) e partimos direto para lá depois. 

O lugar está ainda mais bacana e foi tão animado quanto da primeira vez pois algumas amigas do Pedro aderiram ao passeio, embora mais corrido.

E é impressionante notar como 1 ano na vida de um ser tão pequeno faz tanta diferença. Bê curtiu muito mais. Chegou bem perto de todas os habitats e até arriscou dar comida à lhama e fazer carinho na cobra. Parte memorável não só pelo ato em si, mas porque Bernardo ficou tão intrigado com a textura daquele ser escamoso e gelado que resolveu dar uma apertadinha. Duda percebeu quando os dedinhos de aproximaram com a pobre da cobra no meio e me alertou com medo do bichano reagir. 

Quando fui conversar com Bê para ele não repetir a dose, ele disse "esmaguei ela!"

E até hoje ele lembra disto e toda vez que falamos da visita à arca ele conta que mamãe colocou a cobra no pescoço e ele esmagou ela. Mas só um pouquinho! kkkk

Este moleque é de outro planeta mesmo.

Lindos e contentes!

Olha a cara de quem está dando uma esmagadinha...

"Oi cobrinha, eu te esmaguei!"

Entrar nesta gaiola de milhares de pássaros
é uma enorme conquista para o Pedro

Mas todos os outros bichos são tranquilos para ele.

Muito igual a mamãe

Que é muito felícia com bicho

Amo esta coruja! Ficamos amigas da outra vez.

Devo confessar que me divirto tanto quanto as crianças aqui

Dupla inseparável

Olha que fofura dando comidinha pros patos

E fazendo carinho no coelho.

quinta-feira, 7 de junho de 2018

Primo Ricardo


Como todos sabem, Didi e Titio-Dindo estão grávidos. Fato maravilhoso e muito muito esperado por todos nós.

Quando Pedro recebeu a notícia, ficou feliz e certo de que viria uma menina. Ele não cogitou a possibilidade de ser um menino e a prima passou a, de fato, existir na vida dele. Era Mel para lá, Mel para cá (porque Didi disse que se fosse menina, ela estava pensando em Mel ou Sofia e Pedro escolheu, além do sexo, o nome). E a cada comentário do pequeno, percebíamos mais amor e apego.

Duda foi brincar em relação ao bebê da Didi e foi repreendido pelo primogênito, que falou “papai, a Mel não vai gostar de você assim”.

Na Semana Santa, fomos à feirinha de Terê para comprar pijama e calça para os meninos e acabei comprando presente para a filha do Andrezinho, que tinha acabado de nascer. Pedro veio ajudar a escolher e logo perguntou: e para a Mel, você não vai comprar?

- “Filho, não sabemos se é menina ainda. E este presente é muito feminino”.
- “Mamãe, eu sei que é menina. Eu pedi a Deus e ele gosta de mim. Lembra do Bernardo? Então, eu pedi e ele me atendeu. Então eu sei que vai ser uma menina.”

De novo nos vimos naquela ansiedade por mais uma concessão divina.

Outro episódio marcante se deu durante um Base Net, realizado no Santuário de Fátima no Recreio. Eu estava conversando com o Pedro que era importante ele ficar quieto durante a missa, pois Deus estava ali mais perto da gente naquele momento e naquele lugar e era uma boa hora de agradecer pela vida maravilhosa que ele nos dá, com tanta saúde e realizações. Pedro perguntou se ele podia também pedir coisas a Deus, já que ele estava ali tão perto. Eu disse que sim, que era um bom momento também, embora fosse mais importante agradecer. Eis que escuto uma voz sussurrando “Deus, eu queria muito um Bakugan e também que a filha da Didi fosse a Mel”. E eu instantaneamente iniciei uma oração em virtude deste último pedido do meu filho!

Eis que chegou o grande dia: o chá de revelação! Muita animação, samba e felicidade no ar. Duda pega o envelopinho para descobrir se Mel estava a caminho, Pedro corre e fica na linha de frente dos espectadores, Fê e Rê começam seus experimentos científicos que dariam o tom do resultado e lá vem um AZUL!

Pedro sai correndo e some. Encontramos o pequeno sentado quietinho, abraçado nas próprias pernas, desolado e perguntando o que ele tinha feito de errado para Deus não gostar mais dele. “É pedir muito ter uma prima, mamãe? Eu queria uma PRIMA. Já tenho vários primos. Não é justo. Por que a Didi fez isso comigo?”

Meu coração estava partido em um milhão e depois de explicar que isto não era culpa da Didi, nem de Deus, nem de ninguém, que era uma questão biológica, perguntei o que eu podia fazer para ele ficar mais feliz. A resposta veio tipo soco no estômago: “me dar uma irmã, ora!”.

É filho, acho que aprender a lidar com as frustrações é fundamental para o crescimento pessoal. Mamãe vai correndo amanhã cortar fora as trompas, o útero e o ovário para que nem Deus, nem a ciência, nem qualquer entidade superior neste universo sejam capazes de atender tal pedido.

No Santuário, feliz depois de ter feito
seu pedido pertinho de Deus...

E no chá da Didi, já recuperado e
de bem com a madrinha novamente.