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sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Alegria e angústia

Cada mês que passa eu tenho vontade de escrever um novo texto sobre a paternidade. Ser pai é uma aventura e a sensação que eu tenho é justamente que estou navegando cada vez mais profundamente nesta terra desconhecida. Chego ao final de cada dia com uma opinião formada sobre a experiência. Só que os dias passam e a opinião vai mudando.

Ter um filho é ter muita alegria e felicidade todo o tempo! Cada vez que os nossos olhares se cruzam, que ele resolve dar um sorrisinho ou balbucia um som diferente a vida parece já ter valido a pena. Quando me aproximo e sinto o cheirinho dele, fico apaixonado. Quando ele segura com força o meu dedo fico achando que ele não quer que eu me afaste. Enfim, é difícil acreditar que existia vida antes do Pedro.

Mas ter alguém tão importante na sua vida também é muito angustiante. Vivemos com a ilusão de que o nosso pequeno terá apenas experiências boas, dias de prazer e relaxamento e que nada de ruim irá atrapalhar o seu alegre desenvolvimento em direção à vida adulta. Mas como diria Joseph Climber, a vida é uma caixinha de surpresas e nem sempre os dias são só alegria.

Nosso menino, graças à Deus, nunca teve nada realmente grave. Tomamos um sustão com a história da cirurgia de hérnia e acho que ainda estamos um pouco traumatizados, mas além de ter dado tudo certo, sabemos que é uma cirurgia bastante comum e simples. Mas a verdade é que não precisa ser nada grave, sério ou forte para atingir os pais em cheio. Qualquer chorinho, qualquer sofrimentozinho, é capaz de nos derrubar. Porque, como eu disse, estas pequenas angústias não estão em nossos planos de vida perfeita para o nosso filho.

Guigo, por exemplo, está com refluxo. Acho que refluxo em bebê é tão comum quanto pum na terceira idade. Mas há três noites Pedrinho começou com um chorinho enquanto dormia até que acordou gritando como se tivesse tomado uma vacina. Nestas horas a adrenalina do pai vai às alturas e passamos do estado "dormindo" para o "pronto para qualquer guerra" em nanosegundos.

Fomos ao médico, ele passou os remédios que quase todos os filhos dos meus amigos tomaram e nosso menino já dormiu e mamou muito melhor na noite passada. Mas papai e mamãe ainda estão alertas e um pouco angustiados. Além de alegres e apaixonados.

Beijos do pai.




quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Carro

Voltando a falar da viagem, uma parte vital é o deslocamento pela estrada. Este também seria um teste importante para o nosso menino. Ele nunca tinha ficado tanto tempo no carro e queríamos saber como ele se comportaria. Era a maneira de descobrir o quão longe poderíamos ir sem que ele ficasse desconfortável ou irritado. Até agora Vargem Grande tinha sido sua fronteira mais distante.

Então veio o planejamento: Guigo mama às 13:00 e o horário ideal para pegar a estrada seria às 14:00h. Uma hora depois da mamada e duas horas antes da próxima. Ou seja, como o deslocamento deveria durar em torno de uma hora e quinze minutos, a viagem caberia exatamente entre a digestão e a fome. Assim fizemos e exatamente às 14:05h estávamos em nosso carro. Aliás cabe aqui um elogio à Ligia que, como sempre, organizou tudo direitinho. Quer dizer, pensando bem, não cabe aqui o elogio... cabe em um post completo que irei escrever no futuro.

Pé na estrada e o Guigo enfrenta o seu primeiro grande engarrafamento... na Lagoa. Logo ali, foi só dobrar a esquina e o trânsito estava todo parado. E como foi que ele encarou este problema? Como a maioria das crianças faz no carro: dormindo! Pedrinho dormiu na primeira esquina e só foi acordar dentro do hotel. A viagem acabou durando bem mais por causa das retenções na Lagoa e ao longo da Avenida Brasil.

Foi uma sorte o Pedro ter dormido o tempo todo porque, afinal, ninguém que está começando a conhecer o mundo merece ser apresentado à Avenida Brasil de cabo à rabo. Eita lugarzinho feio, mal cuidado, cheio de motoristas mal educados e longo. Não sei onde fica o inferno, mas poderia jurar que está entre a Avenida Brasil e a Voluntários da Pátria.

Enfim, voltando ao assunto, Pedro acordou com fome logo que passamos no portão do hotel. Mamãe, que já estava atenta, sacou uma mamadeira cheia e providenciou sua alimentação ali no carro mesmo. Neste meio tempo papai cuidou das bagagens e do check-in no tempo justo para levantar o Guigo no colo e esperá-lo arrotar. Excelente trabalho de equipe! Engraçado foi que o moleque dormiu o tempo certinho enquanto a mamãe, que sempre dormia na estrada, ficou acordada pela primeira vez.

A volta foi bem mais rápida, sem trânsito. Mas o Pedro já tinha aprendido e dormiu novamente logo que o carro passou no portão do hotel e só acordou na porta de casa. Agora, como o moleque dorme o tempo certo mesmo a volta tendo durado apenas a metade do tempo da ida eu não sei. Deve ter puxado esta habilidade da mamãe.

Beijos do papai viajante.



terça-feira, 9 de agosto de 2011

Moço do Coco


Oi gente!

Hoje é aniversário do moço do Coco. Minha mãe me contou que o nome dele é Vovô e ele é um cara bem legal. Além de trazer os cocos que eu tanto amo, ele sempre vem me visitar e fica um tempão me divertindo. Ele andou sumido por uns tempos, papai me contou que ele tinha ido para um tal de Portugal. Não entendi o que ele foi fazer, já que lá não tem coco e eu fiquei aqui cheio de saudade. Mas ontem ele foi lá em casa novamente junto com a Vovó Sonia e cheio de presentes.

O moço do coco também é muito legal porque sabe fazer música com a boca. Vovó Linda disse que ele assovia muito bem e ele ficou todo bobo. Eu também acho que ele assovia bem, mas não sei falar isso para ele ainda. Fico rindo e balançando as minhas perninhas para ele não parar.

Mamãe me contou que ele hoje vem almoçar comigo e vamos cantar parabéns juntos para ele. Agora que ele tem coragem de me pegar no colo, vou pedir para ficar com ele e soprar as velinhas também porque ontem foi o meu mensário, só que eu acabei dormindo antes do parabéns. Bebê é fogo, a gente luta luta e quando percebe está dormindo no colo do papai!

Mas então é isso, parabéns moço do coco... quer dizer, vovô.

Beijos,
Guigo


domingo, 7 de agosto de 2011

A Primeira noite fora

Nesta viagem, entre outras descobertas, Guigo aprendeu que dormir fora de casa nem sempre significa passar a noite no hospital. Então ele passou sua primeira noite em um quarto de hotel e o resultado foi uma noite boa, mas um pouquinho tumultuada.

Escolhemos um hotel de praia para a primeira viagem do Pedro porque achamos que ele poderia não se dar tão bem em uma viagem para a serra. Ao invés de enfrentar o frio de Teresópolis, por exemplo, planejamos o sol da Costa Verde, com direito a molhar os pezinhos no mar.

Mas chegamos no hotel e encontramos um frio glacial! Parece que ligaram um ar-condicionado gigante em Mangaratiba e outro em Angra dos Reis e apontaram os dois para o nosso hotel. E o vento fazia a curva bem no nosso quarto.

Por mais preparados que estivéssemos, também foi a primeira vez que o Guigo enfrentou uma friaca digna daquelas que os bebês do Canadá tiram de letra, mas que os bebês cariocas só conhecem quando estão dentro do quarto com o ar-condicionado ligado no frio congelante.

A consequência direta e imediata foi que o menino começou a mamar mais. Deve ser algum instinto de sobrevivência genético, algo como "que azar, me colocaram dentro da geladeira, então é melhor eu comer o que tem antes que a luz se apague". Como tudo o que entra tem que sair, o volume de xixi também aumentou consideravelmente e aquela troca de fralda que inocentemente deixamos de fazer para não acordar o menino foi fatal.

No meio da madrugada o moleque acorda todo molhado e gelado. Papai e mamãe que estavam se achando super-safos com o banho no chuveiro do hotel e a troca de roupas em um trocador improvisado com um travesseiro de penas de ganso sobre a pia, perceberam que tinham dado mole. É claro que o menino acabou despertando depois que tivemos que trocá-lo por inteiro. Ainda deu uma golfadinha na roupa nova e abriu o sorrirão tipo "oba, acordei e quero brincar!".

Pedrinho só relaxou um pouco depois que deitou no calorzinho entre o papai e a mamãe na nossa cama. E então conseguimos dormir mais um pouquinho para nos prepararmos para o novo dia cheio de aventuras que se aproximava lá fora.

Beijos do papai-pingüim


sábado, 6 de agosto de 2011

A Primeira Viagem

Quem nos conhece sabe que viajar sempre foi uma de nossas paixões. Desconfiamos que o Pedro também tenha vindo com esta característica de fábrica, pois um dos lugares que ele mais gosta na casa é em frente ao mapa onde marcamos as cidades que visitamos. Ele é capaz de ficar minutos (quando se tem quase quatro meses, minuto é um tempo muito precioso!!!) inteiros olhando os países que fomos e que vamos.

Munidos desta confiança e de bicho carpinteiro trouxemos o Pedrinho para a primeira viagem. Escolhemos um hotel de praia que costumamos freqüentar a 100km do Rio de Janeiro. Viemos passar duas noites, mas na mala trouxemos bagagem para uma semana inteira.

Além de roupas e calçados, vieram vários equipamentos como o berço portátil, o esterelizador que não tem nada de portátil, banheira inflável, bomba de ar para encher a banheira, várias mamadeiras, esponja limpinha para as mamadeiras, esponja limpinha para a banheira, roupa de cama, toalha, carrinho... O Pedro quase ficou no Rio porque não tinha espaço para ele!

Também vieram a vovó Beth, dinda Fê e tio Rê para dar um apoio. Ainda estamos acompanhados da Cati e seus pais. Luiz, o polvo pirata, e a Gestrudes, a girafa de pescoço enrrugado, também vieram fazer companhia para o menino. Os planos era trazer ainda a vovó Sonia, o vovô Nilton, o dindo Nando e a dinda Ju, mas como eles estão marcando os seus próprios mapas de viagem do outro lado do oceano, fica para a próxima.

Quando o caminhão de mudança em que nos deslocamos chegou ao hotel foi aquela festa! Viva ao novo hóspede e que ele seja muito bem-vindo.

Beijos do motorista do caminhão.





quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Alguns novos cômodos

Faço terapia há mais de um ano e agradeço a um amigo meu por ter desconstruído um preconceito em mim. Antes eu enxergava a terapia como um tratamento. O sujeito tem um problema na cabeça, procura um especialista em cabeça, vai a algumas consultas e depois recebe alta. Resolveu o problema e pode tocar a sua vida, partir para a luta. Foi conversando com este amigo que passei a ver a terapia muito mais como um exercício contínuo. Mais ou menos como ir à academia ou correr todos os dias na praia, só que ao invés de exercitar o corpo, a ginástica é mental. Fazer terapia é dedicar um tempinho ao exercício da nossa mente. Quando comecei, percebi que a minha cabeça estava um tanto sedentária em algumas questões.

Mas este blog não é para falar da minha terapia, é para falar do Pedrinho. Introduzi este assunto porque a minha terapeuta usa uma metáfora sobre a nossa mente que eu acho muito bacana. Ela diz que a nossa cabeça é como se fosse uma casa cheia de cômodos. Em geral estamos muito confortáveis e usamos bastante alguns cômodos. Circulamos muito naturalmente da sala para o quarto, vamos várias vezes ao dia no banheiro e na cozinha.

Mas existem certos cômodos que são mais bagunçados e nos quais já não nos sentimos tão bem. Na verdade sabemos que eles estão lá, muitas vezes passamos na porta e até damos uma espiadinha dentro deles, mas preferimos não entrar. Existem outros que permanecem com a porta fechada. São portas que nunca abrimos. E, o mais incrível, existem portas que nós nem conhecíamos! Circulamos anos e anos pela casa e um belo dia "ué, esta porta sempre esteve aqui???".

Pois bem, o que isso tudo tem a ver com o Pedrinho? É claro que cada um reaje ao fato de ter um filho de maneira diferente, mas quando o Pedrinho nasceu e conforme ele foi crescendo descobri que a minha cabeça não é uma casa, mas sim um apartamento em um imenso condomínio!

Ter um filho mudou totalmente a minha maneira de ver o mundo. Há quase quatro meses o que parecia impossível aconteceu. Eu já me sentia pai e não cabia em mim mesmo de tanta felicidade com a gravidez da Ligia. Mas a chegada do Pedro me mostrou como a vida podia ser maravilhosamente diferente.

Ainda existem muitos andares a serem percorridos e descobertos! Sem contar a portaria, garagens, cobertura e, é claro, o play! O play é, sem dúvida, a parte mais divertida do condomínio e muitas vezes as pessoas pensam que ter um filho é ficar a maior parte da vida no play.

Bem, bastou o menino sair da barriga da mãe para que eu percebesse que as coisas não são assim. O play existe e é imenso. A vida agora se tornou muito mais divertida, colorida e interessante depois que o Guigo apareceu com seu rostinho redondo, seu sorriso safado e seus olhinhos brilhantes. Mas medos e preocupações totalmente novas também surgiram. Enfim, esta é a aventura de ser pai.

Beijos do papai síndico-porteiro-zelador-e-morador






Isto é que é diversão...