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terça-feira, 8 de março de 2016

Fimose

Ontem foi dia do Pedro fazer sua segunda cirurgia. Sei que existem casos muito sérios e piores e muitos diriam, inclusive, que deveríamos agradecer porque foram duas cirurgias muito tranquilas (a hérnia quando ele era um bebê e agora esta). Mas para nós não foi tão fácil assim. Sinto muito pelos pais que passam por circunstâncias piores, não desejo isso para ninguém, mas para mim é um exagero do destino o Pedro ter ido duas vezes para o Centro Cirúrgico em menos de cinco anos.

Papai e mamãe passaram os últimos dias nervosos com o assunto. Bastava mamãe lembrar que chorava (tudo bem que ela está pós-grávida e chorando por qualquer coisa. Estes dias ficou até emocionada quando ouviu dizer que o Lula estava sendo levado coercivamente para depor... tipo, lágrimas rolando mesmo!). Nos preparamos, organizamos tudo e decidimos contar para o Grande (porque agora o Pequeno é o Bê) apenas na véspera. Mas foi aí que ele chegou na sexta-feira perguntando à mãe "o que era uma cirurgia" já que a tia da escola tinha lhe desejado sorte.

Mamãe explicou e o moleque não ficou impressionado, achou tranquilo isso tudo. E assim ficou até a hora de começar a cirurgia. Já no hospital, depois de tomar o medicamento pré-anestésico, ficou mais feliz ainda quando o entorpecente começou a fazer efeito. Embolava a língua e dizia que não estava vendo direito a TV. Mas o melhor foi quando ele percebeu que estava tonto. Sentava na maca e se deixava cair rindo e gritando "Wiiiii". Pronto, já vi o meu filho bêbado pela primeira vez!

Mamãe o acompanhou até dentro do centro cirúrgico e a primeira coisa que ele disse quando entrou na sala foi "Uau!". Quando o médico colocou a máscara com o gás da anestesia ele achou legal e foi dizendo que "na minha casa tam.....bém.......tem..........oum.....dexes..........." e apagou. Tudo muito bem, muito engraçado e alegre.

Até que ele voltou da cirurgia para o quarto possuído pelo catiço saltitante. A Ligia disse que foram apenas cinco minutos (segundo papai foram pelo menos uns 45 minutos...) do moleque simulando as gravações do filme exorcista. Era chute para todos os lados (tenho a impressão que ele voltou com umas cinco pernas do centro cirúrgico), gritos, cara feia e pulos de dar cambalhota no ar. Segundo os médicos, tudo muito normal.

Aí dormiu e papai voltou a respirar. Quando acordou foi logo reclamando que estava pelado, que ainda estava no hospital e foi nesta hora que ele notou que o pinto estava com sangue. Aí ferrou porque, para o moleque, ver sangue dói mais que a dor em si. Mas se vocês querem saber, o resumo do dia foi que ele se comportou muito muito bem. Estamos orgulhosos de nosso valente garotão e mortos de dó por ele estar passando por isso. Mas sabemos que serão apenas alguns dias e depois ele ficará bem novamente.

Mas me digam se não é duro ouvi-lo choramingar "papai mamãe, meu pinto está doendo e eu não gosto quando uma parte do meu corpinho dói". Ou quando ele olha no fundo dos seus olhos e diz "papai, eu estou muito nervoso"... haja coração.

Beijos do papai-orgulhoso-e-sofrido


segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

O cebolinha arrebentou


Pedro está bem conversador e consegue se explicar na maior parte das vezes, mas é muito cebolinha (tem grande dificuldade com a colocação do R) e inverte sílabas de algumas poucas palavras, embora esta última característica já esteja melhorando naturalmente.

Começou na fono por orientação do pediatra e confirmação da creche no segundo semestre do ano passado.  Estava indo bem até que, com a escolha do nome Bernardo para o irmão, o R de final de sílaba, que era ausente na sua fala, deu lugar ao S. Pedro - como vocês devem lembrar - falava Benado (fofo demais!) e passou a falar Besnasdo. Segundo a fono, ele percebe que fala errado e na tentativa da pronúncia correta já que é um nome importante na vida dele, somado a dificuldade natural da letra R, acabou encontrando apoio no S.

Então hoje temos vesdes, bascos, castas e o maravilhoso `posque`. É tão delicioso vê-lo falando `posque` que por duas vezes já caí em tentação e imitei. Pedro fica bravo pois percebe o que está acontecendo e acaba se autocorrigindo. Imediatamente depois do meu `posque` ele manda um `porque`. Bom? Não.

A médica diz que ele só pode ser corrigido durante as sessões de terapia para não travar. Então, o que devemos fazer é sempre que ele falar errado, darmos um jeito de repetir de forma correta.

Agora, para mim, a máxima é o velho conhecido Cristo Redentor ter deliciosamente virado Cristo Arrebentou. E o Cristo Arrebentou, para nossa sorte, é nosso vizinho e sempre que passamos pelo Jardim Botânico Pedro fala dele. E o adora! É demais!

No dia que ele descobrir que o Cristo não arrebentou vai dar uma enorme saudade.



sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

O calminho da pá virada


Os primeiros 15 dias do Bernardo foram um enorme sossego. Ele praticamente comia e dormia. O que foi fundamental na primeira semana sem minha ajudante, a Vânia, que pegou conjuntivite e foi orientada a só aparecer quando estivesse 1000%. Assumi todas as funções da casa, além de cuidar do Bê e do Pedro.

Bernardo era tão preguiçoso que chegou a dormir de 10h às 16h30 sem sair da posição, deixando mamãe super nervosa a ponto de ligar aos prantos para o pediatra.  Eu falava com ele, sacudia, até molhei o rosto e nada. Dormindo ele permanecia. Isto, combinado com aquela cabeçonazinha, me deixou em parafusos. Comecei a imaginar que tamanho era documento e já estava apresentando seus defeitos.

Mas nada. E também não estava trocando o dia pela noite pois dormiu, pela graça do bom Senhor, a noite toda.  Tratava-se apenas do bom e velho sono de recém-nascido.

Depois passou a fazer um longo de 3h ou 4h mais ou menos e outras coxiladas menores, de 1h. Chorava apenas por fome ou fralda suja. Assim conseguimos curtir bem os dois dias de Natal.

Mas de repente, parece que deu um estalo e o pequeno ser de apenas 1 mês e meio resolveu que dormir durante o dia era uma grande perda de tempo. E luta de forma espartana para se manter acordado.  E é um choro feroz, agudo e desesperador. Aquele que me fez querer descer do carro.  Mas com calma e perseverança o sono vence e de repente, faz-se um maravilhoso e confortante silêncio.

Parece que a previsão da mamãe estava errada e o Bernardo bonachão vai ser da pá virada. E, para nosso desespero, Pedro vai ser o calminho da casa. Que Deus nos ajude!

Luto mesmo e luto bem. Se preparem!

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Fotos da maternidade



Como eu estava com problemas técnicos e Duda afogado em trabalho, acabou que o post de maternidade ficou sem fotos da maternidade. Então vamos lá!


Tudo feito, sempre, com muito amor e carinho
Mesmo sendo o segundo, deu um nervoooooso...
Me dá logo meu filho!
Sob a proteção dos anjos 
Sempre foi sério este Bernardo.
Nada melhor na vida 
Tem alguém feliz aí?
Turminha boa
Coisa mais linda, gente!

Este tio é muito especial

Parecem duas crianças, mas é grande amiga Tati

Amigos de longa data dos meus sogros e
artista responsável pelo quadro da maternidade 
Amor de mãe não tem explicação
Família mais que querida
Amo taanto... e claro, chegaram com quitutes divinos 
A carinhosa tia Ana, responsável, junto com tio Luiz
da minha despedida da barriga e da "farra" por um tempo. 
Como era pequenino, meu Deus...

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

E viva o irmão mais velho

Escrito por Ligia

Pedro curtiu demais a gravidez, mas me preocupava que isto mudasse quando de fato o Bernardo estivesse dividindo o espaço que até então era só dele.

Mas para nossa grata surpresa, Pedro continua adorando e mostrando ser um excelente irmão mais velho. Faz questão de ver tudo, participar de tudo. Beija e faz carinho no Bernardo várias vezes por dia, se entusiasma dizendo como ele é lindinho e vibra até com a quantidade de coco ou o tamanho da meleca que sai do nariz do irmão, que aliás, diga-se de passagem, é difícil acreditar que sobre espaço para passagem do ar.

Divide as moedas que ganha entre o seu cofre e o do irmão e, o mais fofo, fica muito nervoso quando o Bê chora. Um dia destes estávamos todos no carro quando Bernardo abriu o berreiro. E quando o motivo é sono, a criatura só sossega quando apaga.

E não sei como sou mãe duplamente, pois não aguento choro de criança por muito tempo. A menos que o motivo seja dor. Parece que tem uma chave que vira e me deixa extremamente paciente em caso de doença. Então falei pro Duda parar o carro que eu ia voltar para casa com o Bernardo pois não ia aguentar aquilo o caminho todo.

Eis que levo merecidamente um soco no estômago com a seguinte frase vindo de uma vozinha terna e serena “eu aguento, só fico muito triste quando o Bernardo chora”.

É ou não é o melhor irmão mais velho que o Bernardo poderia ter?


terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Maternidade

Escrito por Ligia

A mamãe, que tem tempo de sobra para escrever, mas insiste em fazê-lo mentalmente, durante a madrugada e quando acorda já não consegue reproduzir na íntegra, está com problemas técnicos no computador mas felizmente se resolveu, ao menos parcialmente.

Como disse Duda, no último almoço familiar ouvimos que segundo filho é assim mesmo, mal tem fotografia, que dirá post no blog. Não é verdade, meu filho. De fato temos muito menos fotos. De fato nem mamadeira nova íamos comprar (é que ocorreu um pequeno acidente com as
que separamos do Pedro então vovó Beth socorreu trazendo uma nova), mas não há qualquer motivo para análise no futuro. Nosso amor por você é infinito e temos muitas histórias gostosas para compartilhar.

Bê nasceu num sábado chuvoso no meio do feriado de zumbi. E ainda assim a maternidade ficou cheia nos dois dias. Recebemos bastante carinho dos amigos e da família.

Conseguimos organizar melhor as coisas, levamos comes e bebes, inclusive máquina de café e cervejinha e, claro, charutos. Teve até programação visual feita, como sempre, pelo meu querido amigo Pedro.

Mas o que me surpreendeu foi que, embora estivéssemos mais tranquilos, mais bem preparados e mesmo com um pós operatório incrível, me pareceu muito mais tumultuado.

Assim que Pedro nasceu, fui imediatamente abandonada pelo meu ilustre marido que foi bebemorar e charutar com os membros masculinos da família num bar próximo à São José. Desta vez, para que eu pudesse participar da farra, levamos tudo pra maternidade  e os charutos voltaram intactos, afinal, havia um pequeno ser, 4 anos mais velho que o irmão, que mudou completamente a programação.

As cervejas foram consumidas nos 45 minutos do Segundo tempo graças ao nosso querido amigo Edu Guilhon que chegou para dar um gás na comemoração.

E nossos dias têm sido assim, turbulentos e intensos como na maternidade. Mas muito muito gostosos e felizes.



sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

A volta!

No final de semana passado estivemos em um encontro com leitores do blog... tá bom, foi um almoço de família... e nos  perguntaram o motivo de nunca mais termos escrito. Foi aí, mais ou menos, que caiu a ficha de quanto tempo já se passou entre a última publicação e hoje. Foi mais ou menos aí que caiu a ficha quanto tempo já se passou desde que o Bernardo nasceu!

É isso aí, o tempo é algo muito relativo e abstrato mesmo. Principalmente quando suas noites já não são sinônimo de dormir e você começa a operar seu relógio em vários fusos horários ao mesmo tempo. Digo isso porque às vezes esta é a sensação mesmo. Pedro dorme no fuso horário Francês, eu estou no fuso horário brasileiro, Li está no fuso horário de Portugal (que é algo entre Paris e Rio de Janeiro).

Já o Bernardo está no fuso horário da travessia oceânica. Tem noite que a travessia é do Pacífico e tem noite que é do Atlântico. Ou seja, imprevisível e picotado. Mas o mais incrível é que os fusos dos quatro nunca se cruza. Quando um dorme, o outro acorda. E nessa, papai e mamãe acordam sempre é passam a noite tipo zumbis.

Em certo momento eu achava que poderíamos ter três filhos, quem sabe uma menina para diversificar a turma. Acreditava que o único impedimento seria financeiro, já que ter três filhos hoje em dia é privilégio de gente rica. Mas hoje, passando pela experiência do segundo e com quase 40 anos, percebi que a energia já está acabando e o Bernardo está aproveitando a reserva.

Então peço que nos desculpem e não nos abandonem. Acreditamos muito, com todas as forças, para falar a verdade, que esta fase vai passar e termos mais tempo para atualizar o blog.

P.S.: caros leitores, prometo um esforço para retomar as escritas. Este post começou a ser redigido às 3 da manhã, continuou durante a natação do Pedro e terminou durante a espera pelo prato do almoço no restaurante...

Olha aí a foto mais linda de todos os tempos...